Coleta de dados é o que separa a intervenção em ABA de uma boa intenção: sem registro consistente a cada sessão, não há como saber se a criança está aprendendo, se a estratégia precisa mudar ou se um comportamento está realmente diminuindo. Este guia mostra o que medir, como escolher a medida certa e traz um modelo de folha de registro.
Por que registrar dados em toda sessão
Na Análise do Comportamento Aplicada, as decisões clínicas se apoiam em dados: manter, ajustar ou encerrar um programa; reduzir ajudas; investigar um comportamento que não melhora. Registrar na hora, com uma definição clara do que conta como resposta, permite comparar sessões, terapeutas e semanas sem depender de memória.
As principais medidas e quando usar cada uma
- Frequência (contagem): quantas vezes o comportamento ocorreu. Serve para comportamentos com início e fim claros, como pedidos, tapas ou palavras ditas.
- Taxa: frequência dividida pelo tempo de observação (por exemplo, respostas por minuto). Permite comparar sessões de durações diferentes.
- Duração: por quanto tempo o comportamento dura. Indicada para crises, choro, permanência na tarefa ou brincar funcional.
- Latência: tempo entre a instrução e o início da resposta. Mostra se a criança está respondendo mais rápido ao longo do ensino.
- Registro de intervalo: divide a sessão em intervalos e anota se o comportamento ocorreu em cada um (inteiro, parcial ou momentâneo). Ajuda quando é difícil contar cada ocorrência.
- Porcentagem de tentativas corretas: usada no ensino por tentativas discretas. Cada tentativa é registrada como acerto ou erro, e o resultado vira porcentagem.
- Nível de prompt: quanto de ajuda foi necessária em cada tentativa. Complementa o acerto, porque acertar com ajuda física não é o mesmo que acertar de forma independente.
- Registro ABC: descreve o que aconteceu antes (antecedente), o comportamento e o que veio depois (consequência). É a base da avaliação funcional de comportamentos interferentes.
Como escolher a medida certa
Comece pela pergunta clínica. Se importa quantas vezes, use frequência ou taxa. Se importa quanto tempo, use duração. Se importa quão rápido começa, use latência. Se o comportamento é frequente demais para contar, use intervalo. E, para habilidades ensinadas por tentativas, use porcentagem de acertos junto com o nível de prompt.
Linha de base, critério e fidelidade do registro
- Linha de base: registre antes de iniciar a intervenção. Como regra prática, colete algumas sessões até que o padrão fique claro; é com ela que o gráfico mostra o efeito do ensino.
- Critério de domínio definido antes: por exemplo, determinada porcentagem de respostas independentes em sessões consecutivas. O número varia entre equipes, mas precisa estar escrito para que todos decidam do mesmo jeito.
- Definição operacional: descreva o comportamento de forma observável, sem interpretar intenção. Duas pessoas devem concordar sobre o que conta e o que não conta.
- Concordância entre observadores: de tempos em tempos, duas pessoas registram a mesma sessão e comparam. Concordâncias altas indicam que a definição e o método estão claros.
Modelo de folha de registro (tentativa por tentativa)
Use uma folha por programa e por sessão. Marque acerto (+) ou erro (−) e, ao lado, o nível de prompt: I independente, V dica verbal, G dica gestual, AP ajuda física parcial, AT ajuda física total, SR sem resposta.
| Tentativa | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Resposta (+ / −) | ||||||||||
| Nível de prompt |
No fim, some os acertos e divida pelo número de tentativas para obter a porcentagem da sessão. Anote no cabeçalho a data, o programa, o terapeuta e o critério de domínio. Para comportamentos interferentes, use uma folha ABC com colunas de data e hora, antecedente, comportamento e consequência.
Erros comuns na coleta de dados
- Registrar depois da sessão, de memória, em vez de na hora.
- Usar definições vagas, como "ficou agitado", sem dizer o que se observa.
- Misturar medidas diferentes no mesmo gráfico, o que impede a comparação.
- Guardar folhas soltas e perder o histórico, sem gráfico para decidir.
Do papel ao celular
A folha em papel funciona, mas consome tempo para somar, graficar e arquivar. Por isso muitas clínicas migram para o registro digital durante a sessão. O software para terapeutas ABA do ABAplay registra tentativa por tentativa no celular, calcula o score e o nível de prompt e monta o gráfico de evolução sem planilha. Para ver o conjunto completo, conheça o software ABA para clínicas.